Direito de Família

Pensão Alimentícia: Direitos e Deveres

Entenda como funciona a pensão alimentícia, quem tem direito, como calcular o valor justo e quais são as obrigações legais

Publicado em 12 de Janeiro de 2026

Pensão Alimentícia

A pensão alimentícia é uma obrigação legal que visa garantir o sustento de pessoas que não possuem condições financeiras suficientes para se manter. Trata-se de um direito fundamental, especialmente quando envolve crianças e adolescentes, e sua regulamentação busca assegurar dignidade e bem-estar. Compreender os direitos e deveres relacionados à pensão alimentícia é essencial para evitar conflitos e garantir o cumprimento adequado da lei.

O que é pensão alimentícia e sua importância legal

A pensão alimentícia é uma prestação pecuniária (pagamento em dinheiro) que uma pessoa é obrigada a fornecer a outra para garantir seu sustento. Ela abrange não apenas alimentação, mas também despesas com moradia, educação, saúde, vestuário e lazer. A pensão alimentícia é regulada pelo Código Civil Brasileiro e pela Constituição Federal, que reconhecem o direito de toda pessoa a ter suas necessidades básicas atendidas.

A importância legal da pensão alimentícia reside no princípio da solidariedade familiar. Pais têm o dever legal de sustentar seus filhos, assim como filhos maiores podem ser obrigados a sustentar pais idosos ou incapazes. Essa obrigação não cessa automaticamente com o divórcio ou separação, mas continua enquanto existirem as condições que a geraram.

Quem tem direito à pensão alimentícia

Têm direito à pensão alimentícia os filhos menores de idade ou maiores de idade que se encontrem em situação de necessidade. Também podem ser beneficiários cônjuges ou ex-cônjuges que não possuem meios para se sustentar, bem como pais idosos ou incapazes que necessitam de suporte financeiro. A lei também prevê pensão alimentícia entre avós e netos, irmãos e outras relações familiares, desde que comprovada a necessidade e a possibilidade do alimentante (quem paga).

Como é calculada a pensão alimentícia

O cálculo da pensão alimentícia segue o princípio do binômio necessidade e possibilidade. Isso significa que se analisa, de um lado, as necessidades concretas de quem receberá a pensão (alimentação, educação, saúde, lazer) e, de outro, a capacidade financeira de quem pagará. Não existe um percentual fixo estabelecido em lei; cada caso é analisado individualmente.

Fatores Considerados no Cálculo

  • • Renda do alimentante (salários, aluguéis, investimentos)
  • • Despesas do alimentante (moradia, saúde, outras obrigações)
  • • Necessidades específicas do alimentado (idade, saúde, educação)
  • • Padrão de vida mantido durante o casamento
  • • Número de filhos e outras obrigações alimentares
  • • Contribuição da mãe ou outro responsável

Em casos de divórcio ou separação, é comum que a pensão alimentícia seja fixada em percentual da renda do alimentante, variando geralmente entre 15% e 30%, dependendo das circunstâncias específicas. Quando há consenso entre as partes, elas podem acordar um valor que seja justo para ambas.

Deveres do alimentante (quem paga)

O alimentante tem o dever legal de pagar a pensão alimentícia no valor fixado, dentro do prazo estabelecido. Esse pagamento deve ser regular e pontual, geralmente realizado mensalmente. O não pagamento da pensão alimentícia é considerado crime de abandono material, podendo resultar em consequências legais graves.

Consequências do Não Pagamento

  • • Ação de cobrança judicial com penhora de bens
  • • Bloqueio de contas bancárias
  • • Inscrição em órgãos de proteção ao crédito
  • • Processo criminal por abandono material
  • • Possibilidade de prisão (em casos de inadimplência grave)
  • • Acúmulo de juros e multas sobre o débito

Direitos do alimentado (quem recebe)

O alimentado tem o direito de receber a pensão alimentícia de forma regular e em valor suficiente para cobrir suas necessidades. Também tem direito de buscar a revisão do valor da pensão caso haja mudanças significativas nas circunstâncias financeiras de ambas as partes. Se o alimentante deixar de pagar, o alimentado pode recorrer ao Judiciário para cobrar o débito e garantir o cumprimento da obrigação.

Além disso, o alimentado tem direito de receber pensão alimentícia mesmo que o alimentante esteja desempregado, desde que comprovado que ele tem capacidade de trabalho. O desemprego não é justificativa válida para deixar de pagar a pensão alimentícia, especialmente quando envolve filhos menores.

Revisão e modificação da pensão alimentícia

A pensão alimentícia não é imutável. Ela pode ser revisada ou modificada quando há mudanças significativas nas circunstâncias que a determinaram. Se o alimentante sofrer redução de renda, pode requerer a diminuição do valor. Inversamente, se o alimentado tiver necessidades aumentadas ou o alimentante tiver aumento de renda, pode-se requerer o aumento da pensão.

A revisão deve ser solicitada judicialmente, apresentando provas das mudanças nas circunstâncias. É importante manter documentação atualizada de renda e despesas para fundamentar adequadamente qualquer pedido de modificação.

Quando cessa a obrigação de pagar pensão alimentícia

A pensão alimentícia de filhos geralmente cessa quando eles atingem a maioridade (18 anos), a menos que estejam estudando ou em situação de necessidade comprovada. Para filhos maiores que estudam, a pensão pode continuar até a conclusão do curso, desde que o alimentado não tenha renda suficiente.

A pensão alimentícia também cessa quando o alimentado passa a ter condições financeiras próprias para se manter, quando ocorre morte do alimentante ou alimentado, ou quando há reconciliação do casal (no caso de ex-cônjuges). Em qualquer situação, a cessação deve ser formalizada judicialmente.

A importância de orientação jurídica especializada

Questões envolvendo pensão alimentícia são delicadas e requerem análise cuidadosa das circunstâncias específicas de cada caso. Uma orientação jurídica especializada garante que seus direitos sejam protegidos, que o valor fixado seja justo e que todos os procedimentos legais sejam seguidos corretamente. Um advogado experiente pode ajudar tanto na fixação inicial da pensão quanto em revisões futuras ou em ações de cobrança.

Considerações finais

A pensão alimentícia é um direito fundamental que garante dignidade e bem-estar, especialmente de crianças e adolescentes. Compreender os direitos e deveres envolvidos é essencial para garantir o cumprimento adequado da lei e evitar conflitos. Seja você um alimentante buscando entender suas obrigações ou um alimentado lutando por seus direitos, contar com orientação jurídica especializada faz toda a diferença na resolução adequada da questão.

Dúvidas sobre pensão alimentícia?

Agende uma consulta com nosso especialista em Direito de Família e receba orientação personalizada sobre seu caso.

Agendar Consulta

Compartilhe este Artigo

Ajude outros a conhecer seus direitos jurídicos

Artigos Relacionados

Direito de Família

Divórcio: Tudo o que você precisa saber

Guia completo sobre divórcio consensual e litigioso, partilha de bens e direitos dos filhos.

Leia Mais →
Direito Civil

Partilha de Bens: Como Funciona

Guia completo sobre os diferentes regimes de bens e como é feita a divisão patrimonial.

Wilker Tezoto

Assessoria jurídica personalizada, responsável e estratégica para proteger seus interesses.

Contato

Redes Sociais

© 2026 Wilker Tezoto Advogado. Todos os direitos reservados.

OAB SP 411.063